Então, no dia 3 de julho completa um ano de minha morte.
Não tem como não pensar todos os dias nesse dia.
Peguei-me diversas vezes pensando em como seria se eu tivesse deixado esse mundo.
Nunca, nunca irei me esquecer daquele dia.
Ainda mais hj, q minha cabeça está melhor, que eu consigo juntar as coisas com mais clareza.
Era um dia frio e chuvoso, eu estava na pior crise depressiva de minha vida, lutando, tomando remédios, ido à terapia e como tudo sempre tem q ser o oposto para mim, aquele dia, a terapia foi a pior coisa q aconteceu na minha vida.
Então estava eu, sem minha vida. Tinha sido praticamente expulsa do meu trabalho, usaram a minha doença para a conveniência deles e mandaram a médica do trabalho me afastar. Essa, ligou para a minha psiquiatra [cidade pequena dos infernos] e a convenceu de que seria a melhor coisa.
Passei meses morrendo aos poucos tentando entender como é que aquilo podia ser possível.
Eu nunca, nunca havia convivido ou sequer engolido injustiças. Eu sempre corri atrás dos meus direitos, dos direitos das pessoas e do nada, eu não era nada.
Aquela pessoa cujo qual entregaram um CRM simplesmente acreditou em conversa de lavadeiras ao telefone e me afastou do meu trabalho, que apesar de nunca ter me agradado, era MEU.
Todos os dias eu acordava e me via impotente. Pior, qdo fui à médica, eu estava numa virada eufórica, sem dormir, sem comer, só alegria e sexo. Pq de repente aquela miserável achou q eu precisava de um antidepressivo??
NÃO PODEEEEE tomar essa porra, de forma alguma!!!!!!
Mas, como eu ia saber? Eu estava totalmente vulnerável.
Já havia passado 2 meses desde então e eu não conseguia engolir toda essa tramóia.
Eu não dormia, não comia, não ficava com meus filhos e todos os dias eu pedia para morrer.
Eis então que eu acabava de sair de uma fase maníaca e estava entrando num quadro depressivo grave. Eu queria justiça.
Eu clamava todos os dias por isso.
Mas, nesse dia fui à terapia, mais uma vez o assunto foi meu trabalho. Mais uma vez eu chorei, esperneei, pedi para q me explicassem pq as pessoas podiam decidir a minha vida como lhes fosse conveniente e eis a explicação brilhante q eu tive:
- Olha Roberta, já parou para pensar q vc mesma pode ser a justificativa para esses atos?? [provavelmente essa FDP tinha conversado com a minha psiquiatra, ambas eram do mesmo covil] Já parou para pensar q seus atos podem ser responsabilizados por essa atitude, q vc pode ter gerado essa antipatia por todos??
Até hj, um ano depois eu penso nisso, é a única lembrança perfeita que eu tenho daquele dia. São essas palavras q movem meu dia, minha noite, minhas lágrimas e minhas dúvidas.
Só que, verdade ou não, era o q menos importava. Aprendi q a verdade é linda para quem a diz, mas nem sempre é a hora para quem houve.
Então, se hj eu vejo coisas feias e consigo enxergar q poderiam ser piores, naquele dia, as coisas eram feias e pronto, o mundo era ruim, as pessoas más e eu vítima de uma maldade, pouco importava de onde ela vinha.
Saí de lá, indignada. Não me lembro de nada desde então.
Só tenho flashs de memória.
Mas posso contar q eu sentia um ódio, um ódio sem tamanho.
Olha o q eu tinha? Eu tinha um prato cheio na minha vida.
Afinal, tudo sempre foi culpa minha, eu sempre me culpei e responsabilizei por tudo, isso sempre foi um erro, eu me cortava, eu me machucava pq me culpava. Então, um dia eu deixei isso de lado, um dia eu parei de achar q tudo era minha responsabilidade, daí, veio uma vaca q não teve nem capacidade de ler na minha porra de ficha q eu tinha problemas com a CULPA e simplesmente jogou ela no meu colo.
Eis a incompetência dela.
Com duas frases imbecis e mal colocadas, ela qse me fez acabar com a minha vida.
Olha só, não foi ela quem fez aquilo comigo, ela sequer estava ou esteve presente.
Mas as palavras dela desencadearam uma crise em mim, simplesmente pq ela era incompetente demais para perceber q não era hora de dizer q a culpa era minha.
Então, eu saí de lá com todo o peso da minha culpa e não soube conviver com ela.
Como eu ia dizendo, eu sentia um ódio imenso de mim.
Um ódio mortal é a descrição perfeita para o momento.
Peguei duas garrafas de cerveja q tinha dentro da geladeira e virei tomei no gargalo mesmo.
Sabia q eu poderia me sentir melhor assim.
Então, comecei a pensar em tudo, na merda de vida q tinha me restado e pior, era uma merda por culpa minha. Então, começou aquele conflito de culpa + castigo = cortes.
E eu peguei uma gilete, cortei meus braços todooooooooos.
Não foi suficiente, a culpa era minha.
Daí veio o pensamento, o pensamento q quase levou a minha vida:
os remédios. Eu sempre os odiei do fundo da minha alma.
Acho q em primeiro momento, eu pensei q queria morrer, mas depois veio o delírio.
Não sei se foi a cerveja, não sei se foi a crise, mas eu pensei q quanto mais remédios eu tomasse. mais rápido seria a minha cura.Então, foi aí que eu comecei a tomar todos os remédios q eu tinha estocado em casa.
E cada 10 comprimidos q eu tomava. Eu pensava: Eu preciso morrer. Eu preciso me fechar no meu casulo para renascer.
Inexplicavelmente, eu sabia q eu não iria morrer. Inexplicavelmente, eu sabia q eu ia renascer.
Não, não adianta perguntar, eu só pensava nisso: Eu preciso ficar no meu casulo para renascer, eu vou nascer curada, eu vou melhorar, eu vou ser feliz.
E assim foram muitos, muitos comprimidos, segundo as cartelas vazias, foram 50 comprimidos: 10 de lítio, 20 sertralinas e 30 rivotris.
Mandei tudo para dentro com a cerveja e não senti nada, absolutamente nada.
Lembro-me de ter escrito isso em alguma comunidade por aí, de dizerem para eu pedir ajuda, depois lembro-me de eu dizer para as minhas amigas numa comunidade q é minha. Mas só.
Lembro-me de meus filhos estarem comigo, ou melhor dizendo, sozinhos, né?
Foi aí então, q minha amiga Sol me ligou. Ela leu meu depoimento na comunidade , nessa comunidade a gente deixa nosso endereço e telefones para possíveis comunicações e foi assim que ela ligou para mim, eu dei o telefone da minha mãe para ela [não me lembro disso] e todos vieram correndo para casa.
Não sei qto tempo levou entre eu tomar os remédios e virem me socorrer, mas acho q umas duas horas talvez.
Fui para o hospital e não posso reclamar. Lá, era o médico q faz as perícias médicas onde trabalho q estava de plantão [cidade pequena de merda ²] e ele me mandou direto para a lavagem estomacal.
Daí eu me lembro de tudo. Do carinho, do respeito q eu recebi. Meu marido estava comigo, não senti nada, não doeu nada, eu estava realmente anestesiada. Mas lembro da água branca do meu estômago, os remédios já estavam na minha corrente sanguínea e minha pressão estava baixíssima que segundo ao médico ia baixar até eu morrer se eu não fosse socorrida.
Passei a noite lá, em observação. Vi todos muito tristes, mas eu estava ocupada demais comigo para sentir culpas.
Os dias que se seguram foram terríveis. Eu olhava para meus filhos e chorava, Chorava por ter tentado morrer e ficar longe deles, pensava no mal q isso faria em suas vidas e no quanto isso não resolveria nada para mim, já q por mais absurdo q pareça, eu sou espírita, eu acredito em vida após a morte.
Os mês q seguiu depois disso foi pior ainda, eu fiquei doente, passei qse todos os finais de semana no hospital, tive reação alérgica aos remédios, acredito eu q depois da overdose, eu fiquei alérgica a eles e só passou qdo eu não os tomei mais.
E estou sem eles até hj.
Tenho lembranças péssimas desses meses, tbm são vagas, acho q fiquei muito tempo anestesiada.
Emagreci demais, perdi a minha dignidade, perdi a confiança das pessoas q eu amava. Perdi aquela vida horrível q eu tinha tbm e acredito q essa foi a melhor coisa de tudo isso.
Daí a pergunta q vem acredito eu em todos q leem isso deve ser: E como vc está agora?
E o q mudou na sua vida??
NOsssaaaaaa!!
Eu só posso dizer q eu tinha razão.
Sim, eu me fechei num casulo aquele dia e renasci, eu renasci com asas, eu me tornei a mais linda das borboletas, pq eu me tornei mãe. Eu me tornei uma pessoa melhor, uma mulher te tenta aprender com os erros e acertos q tem.
Não, hj eu não vou dizer q eu sou uma mulher maravilha, ainda tenho vergonha de ter sido covarde [apesar q discordar dessa qualidade q dão aos suicidas].
Eu consegui feitos q são inacreditáveis para quem não me conhece.
Eu perdi tudo, inclusive a minha vida, sim, pq eu não morri, mas eu me matei.
Uma pessoa sem credibilidade, uma pessoa sem dignidade, sem a crença dos q ama nela, uma pessoa q tem q ler todos os dias um atestado com a palavra incapacitante é uma pessoa morta e como eu disse outro dia, a pior coisa na morte de uma pessoa é ela morrer e não deixar de existir e foi isso q aconteceu comigo.
Eu não tinha mais a minha vida, eu era um nada.
Só q eu era um nada q tinha q viver, eu era obrigada a viver.
Então, com a ajuda das pessoas q eu amo, eu voltei a estudar, não tinha meu trabalho, mas ia provar a todos q eu ainda tinha força para isso. E fui, muitos dias doente, sem ninguém sequer naquela sala imaginar o q eu sentia ou passava e fui lutando para melhorar.
O curso foi importantíssimo para minha recuperação. Eu amo Internet [precisa falar?], amo informática e era desafiador me aprofundar em tudo isso.
Enfim, hj estou aqui.
Tenho minha vida de volta, boa parte da minha dignidade tbm. Não tomo remédios, não tenho crises expressivas e incapacitantes. Sou uma pessoa diferente hj q aprendeu o q Deus queria de mim naquele dia, naquela época e dedico tudo o q posso para aprender suas lições.
Eu tive q aprender q as injustiças acontecem, a gente não pode evitar tudo, não precisamos aceitá-las como verdade, mas precisamos aprender a conviver com elas por um tempo. Aprendi a pensar nas pessoas e que todas q eu amo e me amam estão diretamente ligadas a todas as minhas decisões e q preciso ter muito cuidado ao tomá-las. Aprendi que existem apenas duas maneiras de enfrentar um problema: com dor ou sem dor e q nenhuma das duas maneiras vai lhe impedir de passar pelo problema.
Aprendi a mais importante das lições q é viver, viver a vida q temos, mesmo ela não sendo o q queremos, mesmo ela não tendo a cor que queremos.
Aprendi q eu não vivo e nem morro sem meus filhos e q nunca mais vou desrespeitar a natureza da minha vida e da vida dos outros.
Aprendi a sentir medo, medo das pessoas, medo de morrer, medo de sofrer, medo de me magoar, mas q esse medo não pode me impedir de viver.
Aprendi q a gente pode sim morrer e nascer na mesma vida, mas q isso não é uma das melhores alternativas e q eu não recomendo a ninguém.
E viva o meu novo aniversário!!!
Parabéns para mim!!!



4 comentários:
Nossa, passou um filme pela minha cabeça.
Eu conheci um pouco disso tudo, pois foi logo depois disso que comecei comentar no seu blog, lembra?
Falei um monte de coisas, nem sabia a razão de tudo, mas de lá para cá, fui só te admirando cada vez mais, pois passei a acompanhar sua luta e presenciar cada vitória que aqui é colocado ou quie a gente vai conversando a respeito.
Hoje Beta, o que tenho a dizer sobre tudo isso?
Vc é uma tremenda guerreira e me ensina muitas coisas sobre tudo isso...ah, nem sei o que dizer, vc é 10...
Bjs com carinho
Gente do céu!
Toda vez que venho aqui tem algo novo!!
Ô Beta... que bom que essa morte de fez nascer de novo, né?
O importante é o que aprendemos com os erros,certo? E não o erro em si..
Fico feliz por essa nova chance que Deus te deu e rezo pra que vc aproveite bem essa chance, que isso te faça cada dia mais uma mulher melhor! Beijos
Lu foi isso mesmo, nos conhecemos mais ou menos um mês depois.
Vc é minha parceira, é quem me incentiva a escrever. Claro q depois vieram outras pessoas lindas que eu amo, mas lembro-me perfeitamente de vc entrando em minha vida.
Vi
sim, tbm sou muito, muito grata por Deus ter me dado mais uma oportunidade e tô aproveitando viu, direitinho, tentando ser feliz sempre.
Beijos, tava com saudades.
Ahhhhhhh....fiquei toda boba agora!!
Bjs
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