Há em mim um enigma. A vida deseja algo que não posso identificar.
O esforço não me satisfaz, a luta lhe é banal. A sensação de não sair do lugar e a mesmo tempo ver tudo girar.
Não sei por onde começo, não sei o que peço, sequer o que pensar.
Qualquer caminho que eu siga me leva para a dor, para a solidão, uma acompanhada e a outra só, não há solução.
Não tenho vontade de resolver nada, decidir nada, terminar nada.
Convivo com a sensação de ser inacabada, um depósito de histórias mal contadas que para mim já estavam esquecidas.
Não tenho expectativas, não tenho estórias enfeitadas, tenho uma alma dividida entre ser o que a vida exige, entre ser eu mesma e não ser nada.
A paixão que tenho pela vida é a mesma que me mata, que me afunda, que me distrata.
A arte de ser sem estar, não falar o que pensar, não expor o me motiva, no medo que me instiga. A gula pelo prazer são os ingredientes do meu desespero.
Hoje é aquele dia triste, dia de tentar não chorar.
Diferente dos anteriores, com alguns dissabores, mas há algo a me consolar: sou mulher como qualquer outra, de sabores, cores, flores que simplesmente não consegue se amar.

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