Com o tempo a gente vai aprendendo quando uma vem chegando.
Acho q eu só precisava de um bom motivo.
E tudo o q houve na quarta feira foi fundamental para desencadear de vez a minha crise.
Passei todos esses dias calada, fechada em mim mesma procurando os motivos da minha depressão.
Sim, pq eu não estava triste, eu estava deprimida de verdade.
Perdi todo o meu interesse pelas coisas e até a Internet que eu tanto amo não me dava mais a alegria e vontade de ser feliz.
Vi meu mundo se escurecendo e tudo ficando cinza.
Enfim, eu estava deprimida como achei q nunca mais ia ficar e precisava fazer alguma coisa com isso, menos permanecer assim.
Foram três dias de clausura. Três dias sem sorrir com vontade e me dedicando aos meus filhos pq eu sabia q eles tem um ótimo alimento para a minha alma.
No sábado, eu sequer tinha vontade de olhar para meu marido, eu não fiz nada em casa.
Tinha vontade de deitar na cama e deixar o mundo terminar, mas eu tentei me esforçar, brinquei com meus filhos, sorri para eles, fiquei feliz com a felicidade deles, mas sabia q estava mal.
A parte boa de ser deprimido tanto tempo é q a gente já sabe qdo vai ter uma crise e tbm aprende a entender as crises.
Eu já sei q eu fico deprimida só depois da guerra.
Q na hora q o sangue esfria é que eu desabo.
Fiquei dias tentando entender pq eu estava ficando deprimida sendo q a nossa batalha só está por começar.
Pq depois de ter sido tão forte nos primeiros momentos quando descobri um filho especial e só agora é q choro pq as coisas são assim? Só agora eu choro muito qdo vejo uma criança dizer Mamãe ou qdo olho para as fotos e vejo meu filho sem traços do autismo.
Pq só agora meses depois é q eu estou entristecendo por isso??
Mas aí, nas minhas viagens dentro de mim eu me lembrei de um fato muito importante:
Eu não tive tempo para isso pq assim q eu soube eu tive q procurar outras respostas, tive q criar outras perguntas e deixar essas para depois.
Eu tive q ajudar meu marido a enfrentar essa crise e deixei a minha guardada.
Eu tive q aprender e ensinar muito rapidamente para o meu marido o q é e seria ter um filho autista, tive q buscar tratamentos, respostas concretas e realmente, não deu tempo de ficar deprimida.
Agora, vejo-me numa depressão tardia, aquela onde eu me pergunto pq, onde eu digo q queria meu filho de volta, como se ele tivesse sido tirado de mim, mas q na verdade é o mesmo filho que sempre foi e q o problema é q as mães idealizam os filhos como querem e tem dificuldades de aceitar o q Deus lhes deu.
Acredito q eu esteja nessa fase, mas sei tbm q é passageira e q eu vou superar.
Afinal, eu consegui identificar a ponta de tudo, o início da minha dor e agora eu sei pq ela acontece.
Não vou mascarar essa dor com os problemas diários. Eu decidi vivê-la, pq ela é inevitável e se eu escondê-la de mim, ela nunca me deixará. Já enfrentando-o, ela vai doer cada dia menos e vai dar lugar à compreensão, à superação.
Curar-me dessa dor vai me ajudar a ajudar muitas outras mãezinhas q sofrem como eu.
Pq eu só tive uma pessoa q entendeu essa minha dor. Coincidência ou não, ela sofreu a sua dor tbm.
Não vou ser vítima da minha dor. Não vou ser vítima dos acontecimentos. Eu vou apenas enfrentar a minha vida, enfrentar meus fantasmas, superar as dificuldades pq afinal, nós nascemos para isso não é??
Desde q eu consegui compreender isso, acordei mais bem humorada, com mais força, mais destemida e corajosa.
Viu?? Entender o q se passa dentro de vc nem sempre é tão monstruoso assim.


2 comentários:
Olha,Beta, acho que olhar o que realmente se passa dentro da gente é única forma de entender o que sentinos. E entendendo fica mais fácil superar.
Mas acredito que essa fase que vc está passando agora é não só inevitável, mas importante também. Parece que as pessoas fazem uma pressão pra gente passar por tudo incólume, arrebentando tudo no peito. Mas existe, sim, um momeneto de não aceitação de tudo na vida, só o que varia é o tempo que leva e isso varia de pessoa pra pessoa, de situação pra situação.
Viva esse sentimento, aprenda com ele, supere-o, e você poderá ajudar outras mães, seu filho, seu marido e a você mesma.
O que vc sente agora é absolutamente NORMAL. É como a rebeldia da adolescência, faz parte do crescimento saudável. Estranho e não salutar seria vc passar por isso sem se entristecer em nenhum momento. Vc cuidou dos seus, agora é sua vez.
Te admiro mais e mais.
Beijão.
POxa, Ju, eu tbm te admiro muito.
Obrigada por me compreender, isso é muito importante até para essa fase q estou passando, pq a gente se sente culpada tbm.
Beijos
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